quinta-feira, 22 de agosto de 2013

CIGARRO PRETO & BRANCO


E em uma festa quis ousar
Bebeu, beijou e sequestrou
Uma galera pra sua cama e aproveitou
E em meio aquele caos lhe faltou ar
No gás carbônico voltou a respirar

Do outro lado alguém enlouquecia
Com certeza exagerando na bebida
Chupou até quem não devia, do-pa-do.
Sem condenações pois perdera um amor
O gás carbônico era seu novo ar

Aquele Marlboro foi quem juntou
Mas opostos como Veríssimo falou
O Marlboro preto e o branco trocaram
Oh... sim! eles se amaram
Mas depois se afastaram (se estapiaram)

Como um cão sem dono quis tentar de novo
Chorou, calou, caiu e se ferrou
Não conseguia levantar mais
E quando não guentava nem caminhar
O gás carbônico era sua forma de amar

Enquanto isso, bem na fita só vivia
Fumava, cheirava e é claro que bebia
Pelo puro prazer AH! se vendia
Quer transar, enlouquecer e gozar
Nem gás carbônico é capaz de amar

Aquele Marlboro foi quem juntou
Mas opostos como Veríssimo falou
O Marlboro preto e o branco trocaram
Oh... sim! eles se amaram
Mas depois se afastaram (se esfaquiaram)

Enfim se reencontraram e viveram
Felizes com Marlboro vermelho
Mas ele andava desatento
E perdeu o que mais amava
O alguém em quem confiava
E desde então nunca mais
Conseguiu tragar em paz
Olha na janela e pensa mais
Olha para o céu que poluí
Sua esperança lentamente diminui.

Sua esperança diminui (Sua esperança diminui)
Aquele céu que era azul (Sua esperança diminui)
Vai perdendo a cor (Sua esperança diminui)
Com aquele amargo vapor (Sua esperança diminui)
Tudo em preto e branco (Sua esperança diminui)
Nada preto e nada branco (Sua esperança diminui)
Tudo que vê é cinza (Sua esperança diminui)
(Sua esperança diminui...)

Aquele Marlboro foi quem juntou!

Mas opostos como Veríssimo falou!

O Marlboro preto e o branco trocaram
E sim!

Eles se amaram, amaram. Eles se...

Mas depois se afastaram!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

PEGA UMA CERVEJA


E sem perceber rabisquei uma folha toda
Tentando falar sobre tantas coisas
Que estão aqui e me atormentam todo dia
Porque o mundo está tão longe assim
De ser, como dizem por aí, uma maravilha

É. Tenho tanto a dizer que nem consigo falar.
Tanto à escrever que nem sei começar
Ah!

A luta brava pelas ruas
O silêncio amargo, quantas rugas
O cigarro, apago, penso em mudar
Mas não vejo porque se prolongar
Tantos medos presos na garganta
Que eu nem sei por onde começar.

Sento, penso, leio, escrevo, apago e relembro
Sinto, minto, crio, vivo, arrisco e me arrependo.
Por quê? Como dizer?

A TV continua a ditar
O que fazer e até como falar
E a gente perdendo várias projeções
Nossos pensamentos e formas de olhar
Até a internet querem limitar
E eu nem sei por onde procurar

Ganhei mas já perdi a fé no Brasil
Pra onde quer que eu olho só vejo canil
"Nossa [querida] pátria mãe gentil"
Me pergunto quanto isso vai durar
Vai tudo pra puta que pariu
E eu nem sei por onde começar

Ela acorda cedo e vai orar
Depois volta pronta pra julgar
Enquanto outros estão a se matar
Costura a própria boca pra não abraçar
Qualquer ideia que não seja própria
E eu nem sei por onde procurar

Mas 'cê quer saber mais?
Cama aí, senta aí,
Vem pra minha mesa
Puxa uma cadeira,
Pega uma cerveja,
Pra gente começar...

sábado, 22 de dezembro de 2012

PLAYLIST DE FIM DE ANO


É, o mundo não acabou e pra falar a verdade, eu estava bem esperançoso que fosse o fim de tudo mesmo.
Mas como continua, daqui alguns dias será Natal, mais uma vez e logo em seguida ano novo. Eu estou  inquieto de tanta ansiedade, só que não.


Todo fim de ano eu fico impaciente, mas está longe de ser pela alegria, festas presentes ou coisas do tipo. Numa reflexão mais profunda esse ano eu percebi que essas coisas me incomodam: as luzes, as velas, os preparativos, as roupas novas, os passeios, as comidas... Enfim: todos se alegram muito com isso, eu não... Eu sinto que é apenas mais uma imposição para sermos felizes, durante trinta dias.

Todos são felizes e se amam, tudo é lindo, porém existe um prazo de validade e esse prazo não me consola. Ao passar do tempo, as pessoas vão sorrindo mais e eu - mesmo cansado de rever esse mesmo filme há vinte anos - me apavoro. Vejo que os sorrisos estão mais para Coringa do que para Bozo. São sorrisos forçados que me distanciam, luzes que parecem tentar me cegar, abraços frios e sabe qual é a pior parte? o ano todo eu vou me aproximando das pessoas, as descobrindo, vendo quem realmente são e nessa época, elas se transformam. Me vejo como naquela historia de Saint-Exupéry, onde tento me comunicar com as pessoas grandes, mas elas só enxergam superficialmente. Parece que os pisca-piscas não as deixam me ver e os sinos não os deixa me ouvir. E assim eu volto para o meu casulo, com pânico das máscaras que elas vestem.

Pode até parecer que sou um cara deprimido, chato, que não gosta de nada. Mas acredite, não é o caso.
Talvez o natal, algum dia, tenha tido algum significado, talvez ainda tenha para você ou qualquer pessoa. Pra mim, essa data juntou-se com o ano novo, férias, praia e o significado se perdeu por aí. E nem vou tocar no tema do capitalismo e consumismo exagerado e seus derivados.

O que vejo hoje, nas festas de fim de ano é muito brilho, muito glamour, muitos sorrisos, muita música, muito alegria, muita felicidade... Mas está tudo do lado de fora enquanto o interior das pessoas permanece áspero e frio.

As bijuterias se encarregam de fazer o barulho das carroças vazias.


E como sempre que me sinto mal, além de reflexões, eu escuto muitas musicas para ficar melhor.
Vou compartilhar algumas das que ando levando pra cama nesses últimos dias:

(Martin e Eduardo)
IRIS (Goo Goo Dolls)
FOREVER YOUNG (Bob Dylan)
DANÇANDO (Agridoce)
A SONG FOR YOU (Amy Winehouse)
OURO DE TOLO (Raul Seixas)
VIDA LOUCA (Cazuza)
HEY JOE (Jimi Hendrix)
MARCHINHA PSICOTICA DE DR. SOUP (Júpiter Maçã)
RENATA (Tihuana)
O DIA QUE NAO TERMINOU (Detonautas)
RIDE (Lana Del Rey)
YESTEDAY (The Beatles)
MEDO DA CHUVA (Raul Seixas)
A SOMBRA (Pitty)
EVERY BREATH YOU TAKE (The Police)

E no natal eu quero mais é beber, e curtir a ressaca :)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

VIDA BANDIDA


Tudo dando certo,
E a vida segue assim: feliz.
Simples e intensa, pra mim.

Não venha apontar os defeitos alheios.
Pra mim não, monstro feio!
Pra mim não, monstro feio!

Um simples sorriso, um  jogo de corrida.
Um beijo e uma mania, me mostra sentido nessa vida.
E naquela tarde eu sentia
Sua felicidade ao me ver bem.
Sua preocupação com seu bebê.

Não venha apontar os defeitos alheios.
Pra mim não, monstro feio!
Pra mim não, monstro feio!

Nunca corri atrás de amor
Porque sempre o senti em mim.
Você me proporciona isso e agora eu descobri.
Agora bateu, agora eu senti.
"Bora ver o Tim!"

Uma festa de aniversário, a família reunida.
O café feito na hora e as conversas rítmicas
Na graça de um convite, confirmei a afilhadinha
Senti que isso cobre todas minhas feridas.

Uma balada maldita
Uma noite mal dormida
Nós vomitávamos pelas paredes
E até a porta vim em  sua companhia.

Não venha apontar os defeitos alheios.
Pra mim não, monstro feio!
Pra mim não, monstro feio!

O pequeno gesto, a grande admiração
Um simples olhar, derreteu meu coração
Não fiz para isso, não faço para tal.
Mas no calor do seu abraço, se vão todos os maus.

O desejo me apertou, precisei transmitir alegria
E a sua agitação me renovou a vida.

Vamo que vamo!
Que a vida continua.

Vamo que vamo!
Quero mais gasolina.

Vamo que vamo!
Dar a volta por cima

Vamo que vamo!
Vida bandida!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

NO JARDIM DA AVÓ

O garoto está mal e já faz quinze dias.  Algo começara nascer em seu rosto e corpo além de dores nas pernas, braços e falta de respiração. A família se desesperava, os amigos sabiam que algo tinha acontecido mas na correria de São Paulo, deixaram-no de lado, a não ser uma garota, a que todos os dias perguntava-lhe como estava e sempre deseja melhoras. E o garoto? bom, o garoto sentia suas dores e tentava, sem incomodar, aliviá-las. Fora em médicos que não conseguiram curá-lo apesar de aliviar, em parte, suas dores.

O garoto era jovem e tinha seus romances por aí. Das quatro garotas com quem ele flertava, três sentiram sua ausência, duas mostram-se preocupadas e apenas uma telefonou, porém passado sete dias, ele não teve mais forçar para procurar alguém, e para seu espanto, nenhuma delas o procurou também.

Ele sentia que fazia falta nos bares, nas baladas e na rua, mas era uma ausência provisória, pensou ele: "logo me substituirão. Esse é o mundo que eu mesmo escolhi". Como se não bastasse a dor física, agora o garoto estava aprendendo a lidar com a dor emocional, que lhe pesara o mesmo tanto.

Adorava se dedicar a projetos artísticos, via-se impossibilitado pela canseira que os remédios lhe causava, e sua mente quase inválida e preguiçosa, o deixava numa angústia intolerável fazendo com que voltasse seus medos e as tentações adolescentes de querer se matar.

Religião ele não tinha, talvez nem em Deus acreditasse. Nesse dilema e nessa angustia que aumentava a cada dia, a doença completara quase um mês e seu pai, devoto do catolicismo, o levara na missa nos últimos dois domingos. Também bebera água santa, benzida pelo pastor da igreja de sua vó e vestiu uma camiseta abençoada pelo mesmo. O garoto não acreditava em nada daquilo, porém acreditava na fé de seus parentes e aceitava tudo que eles lhe ofereciam.

Uma afastada tia ligara ao garoto, perguntando se ele havia melhorado. A família não a aceitava por ela frequentar o Candomblé, mas ele sempre gostou muito dela e não a rejeitava, a tia queria fazer-lhe uma vizinha e o sobrinho esclareceu a todos que além de aceitar, ele queria a visita dela e não aceitaria falta de educação para com ela.

Na manhã seguinte, o garoto acordou com a voz dela e logo desceu as escadas. Todos estavam na sala e ela oferecera uma espécie de olho santo, o garoto deveria tomar e nesse momento sua avó tirou os olhos da mesa e proibiu o garoto de tomar dizendo que era aquilo, coisa do Diabo.

O garoto ficou nervoso e acabou discutindo com sua avó, a confusão foi tanta que logo todos estavam discutindo, exceto o garoto que estava de olho em sua prima, uma garotinha cinco anos de idade que acabou fugindo para a rua atrás de uma bexiga, um caminhão passava e a menina quase fora atropelada se não fosse o garoto, que a empurrou para a calçada e se foi, no lugar da garotinha.

A família está discutindo sem parar há três dias, enquanto a garota enterra o corpo de seu primo, no jardim da avó.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

TUDO QUE EU FIZ




(PC Guimarães e Eduardo Paulino)

Não aceito esmolas
Demoro horas mas chego lá
Tempo mais lerdo que senhoras
Nos machucam e nos dilacera

Não paro para descansar
Enquanto ando deixo a abertura cicatrizar
Há muita coisa que você me prometeu,
"Quantos passos você já deu"

Continuo sozinho
Mesmo com amigos
This is the real life.
We can't escape reality
Don't Forget that really this is life

Não quero nada de mão beijada
Não desejo nada que seja seu
Não me arrependo porque quando chegar
O mérito será todinho meu.

Noites chorei por não ter chegado
Com medo de não ser nem tentei
Eu sei, você estava empolgado
Mas tudo já passou...

Continuo sozinho
Mesmo com amigos
This is the real life
We can't escape reality
Don't Forget that really this is life
  
E você vai perceber:
Tudo de bom que fiz para você 
E ver que tudo que fiz
Foi apenas para te ver crescer 
As feridas adormecerão
Mas as cicatrizes tomei para mim
Para não marcarem seu coração.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

SUPERWOMAN PLASTIC

Acorda todo dia, não é travesti.
Se monta em quatro horas, começa a existir.

Precisa estar perfeita / pra poder sair
Suas unhas estão feitas, procura o que vestir.

Cabelo impecável, corpo de manequim.
Não há sangue em suas veias. Cuidado, vai cair!

É a mulher de plástico
Perfeita e inexistente.
Não esqueça que uma hora
Ela encerra o expediente.


Se precisa de amor, de afeto ou de carinho.
A Superwoman Plastic te deixará sozinho.

Precisa se cuidar, ver os padrões e se encaixar.
Emagrececer e sem comer / se igualará a da TV.

Não trabalha nem estuda, uma amélia comum
É sempre o outro, nunca quis ser o um.

É a mulher de plástico
Perfeita e inexistente.
Não esqueça que uma hora
Ela encerra o expediente.


Nunca terá filhos, sogra ou marido,
Sempre será aquela rosa sem espinhos.

Não precisa de amor, de paz ou de carinho,
Só precisa de uma coisa: flashs no caminho.

É a mulher de plástico
Perfeita e inexistente.
Não esqueça que uma hora
Ela encerra o expediente.


Ela encerra o expediente.

Encerra o expediente...

Encerra o expediente...

Encerra...