quarta-feira, 1 de junho de 2011

MY BITTER-SWEET

CAPÍTULO I - O DIA ME SORRINDO
 Fiquei sabendo que Pitty estava num projeto maluco com Martin. Que fora criado meio ao acaso, mostrava algo mais introspectivo do que as letras da banda e quase no mesmo dia fiquei sabendo sobre a possibilidade do Martin e Eduardo. Alguns dias depois, rolou uma twitcam dos dois (Martin e Pitty). Eles não explicaram nada, jogaram a música e foi sem hora pra voltar. Na medida em que o projeto foi tomando forma, sendo exposto, com MySpace e alguns vídeos, aquilo tudo foi me impressionando. Eu tive sim um preconceito com o Projeto, mas não pelas músicas e sim por ser da Pitty. É. Não queria gostar só por ser feito pelos meus maiores ídolos. Então tentei não dar muita importância, mas não rolou. Me chamou muita atenção, estou apaixonado por Agridoce. São letras que me fazem chegar ao chão em segundos; melodias suaves aos ouvidos e agressivas ao coração.

CAPÍTULO II - UM CIGARRO E A MESMA COR
Eu "me apavorei" quando percebi que aquelas músicas tinham muito de mim. E cada letra ali não retratava apenas ideias iguais as minhas (como o ceticismo em 'Dançando' ou a morte em vida em 'Epílogos e Finais'). Aquelas músicas tocaram em sentimentos já adormecido a anos e isso acaba com o conjunto mente-corpo-coração de qualquer um. Me fez ver de forma nítida algumas das cenas que eu pensei ter apago da minha mente, mas não, elas continuam aqui. E me fez pensar em pessoas. Não, não como você lembrar de uma pessoa porque certa pessoa gosta daquela música ou lembrar da sua ex porque vocês ouviam juntos. É você ouvir algo pela primeira vez, fechar os olhos e essa música te transportar para outro ambiente com aquela pessoa. Só vocês, só pra você. Até que alguma coisa te desperte e você volta para o mundo real. Livre, leve e doce (ou estranho, arisco e agri).

CAPÍTULO III - O PEITO EM FOGO
Agridoce foi algo tão bem-aceito pelo público que muito do que está acontecendo talvez não aconteceria sem a intervenção "deles". Sim, está mais que provado que Agridoce não é uma música feita para o público. Está longe de qualquer possível pop (e eu adoro isso). Mas é ótimo você ver que aquilo que você faz e gosta, outros acabam gostando. É ótimo e talvez tenha sido uma alavanca muito grande pra colocá-los num patamar mais "sério" ou "estruturado". O fato é que chegou a hora do Agridoce fazer um show e eu não conseguia imaginar como seria. Não MESMO. Essas músicas me parecem tão íntimas que não imagino o grau de amizade, confiança e irmandade que há entre Pitty e Martin. Não consigo ver o Agridoce como mais um grupo. É algo complicado. Mexe em ideias, sentimentos, mundo, vida. Pra tocar nesses assuntos já é algo complicado e não conseguia imaginar os dois colocando algo exclusivo deles ali, pra todos. Ao vivo. Uma brincadeira com expectadores, mais explicito que qualquer Big Brother. Imaginei todos sentados, todos deitados, todos cegos, um palco escuro, um palco claro, luzes, sombra, muitos detalhes, nenhum detalhe. Imaginei tudo e não imaginei nada.

CAPÍTULO IV - A HAPPY NIGHT
Chegou o momento. O dia. Precisava da roupa perfeita, do cheiro perfeito, da noite perfeita. Precisava acalmar o coração, relaxar a mente e moderar o organismo físico. Dormi cedo no dia anterior. Acordei disposto. Uma hora antes do que deveria. Fiquei cerca de uma hora só para escolher a roupa que deveria servir para trabalhar e para sentir o show. reservei quinze minutos para um lindo café da manhã e fui. Combinei de encontrar um amigo umas quatro horas antes do horário marcado porque eu não conseguiria fazer mais nada já que minha cabeça já estava lá. Uma noite fria em São Paulo e eu tomando sorvete, enquanto esperava meu amigo que chegou com outra pessoa maravilhosa. Nós fomos conversando até o bar ali perto e bebemos um conhaque com mel, uma cerveja, duas, três, quatro...  me perdi. Os meus iguais chegaram e pronto: resolvi me acabar. A tensão era tanta que bebi, bebi, bebi e bebi.

Alguns probleminhas lá fora me deixaram mais tenso ainda, um abraço e algumas palavras acabaram comigo (no bom sentido). Acho que eu fiquei com cara de bobo, flutuando, durante pelo menos 5 segundos. Entrei. A vibe estava uma delícia, me apaixonei pelo lugar. Todo escuro, tomei mais alguns "bons drink", e quando vi já estava acabado no colo de alguém não aguentando nem abrir os olhos, até ouvir um toque de piano. Na hora despertei e vi os dois ali...

A sensação era de ver uma menina na sua festa de quinze anos, nervosa, na hora da valsa com o príncipe. Ou o pai que está olhando para o rosto de seu bebê, emocionado. Ambos explodindo de emoção, sem saber como demonstrar. É o que eu senti. Cheguei a ver os pulsos de ambos tremendo. Aquilo é ótimo e quando começou a primeira música, mesmo (aparentemente) nervosos, eles seguraram e iniciaram com uma força que aquelas músicas pedem. Foi intenso o show inteiro, com os leves comentários entre as músicas, que dava uma amenizada na (boa) intensidade. Estar ali, eu considerei, um privilégio, estar ali, ver de perto os olhares, a tremida de pernas, cada dedo, a respiração, as veias.... Ouvir os timbres, os solos, as vozes (muito mais bonitas - ou trabalhadas - que da banda Pitty). E se lembra das pessoas comentadas no segundo capítulo? estavam ali. Eu vi. E se não tivesse visto, teria sentido, mesmo sem tocar. Eu sei é que o lugar estava lindo, eu me arrepiava com cada agudo da Pity e com cada olhar de Martin. Aliás os olhares indiretos dos dois para o público só deixaram a coisa mais real, mais frenética mais.. AH! saca?
 
O show foi muito Agridoce, mais ainda pode ser mais, I know.
Aqueles dois têm um talento indiscutível e dominam um palco, dominam uma plateia...
Enfim:  dominam a música e para dominá-la eles deixam ser dominados por ela.

8 comentários:

  1. Descreve tudo o que eu sinto a respeito do Agridoce.

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  2. É assim mesmo..a dualidade extrema, imediata ou mesmo demorada..como algumas q demoram mais para "bater" são sensações, ali em cada frase, em cada melodia..e como disse: os olhares...só itensificaram aquele sabor regado a tempero sincero e intenso...
    quero mais...
    Texto LINDO Paulo...ce sabe..enfim.. :)

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  3. É a essência, a alma, e isso eles tem de sobra. Belíssimo texto...

    beijoos Pc

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  4. "Agridoce já não é mais virgem..."

    Tive o prazer de estar lá e o prazer de reviver o momento (apesar dos defeitos na produção) lendo teu post...

    A long long short.

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  5. AAAAH QUE LINDO *-*

    Agri&Doce o SOM da junção desses dois como diz a letra : "Não é questão de sorte é jogo vencido"

    E assim eles chegaram, tão simples que nos dominaram !!

    Pc maravilhoso seu texto !

    Agridoce à flor da pele

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  6. E nos bastidores: Brunno Cunha roubou Alice do país das maravilhas e a levou para o Bar do Bahia, Martin em momento nem te ligo para os fãs que pagam as contas dele, Duda arrazando como sempre - por isso merece presente - e Pitty carregada de lá. E mais uma vez o dia foi salvo pela equipe do 4DP Consolação e pela PM que nos apoiaram nos momentos difíceis da noite. By Geisi.

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