segunda-feira, 1 de agosto de 2011

CONTO DO TOLO

Era tolo porque não queria saber, mesmo que já soubesse. Já sabia que era alguma coisa, mas não sabia o quê.

Começou a se sentir mal e não foi de repente, foi gradativo.
Até então nunca tinha se visto como tolo, apesar de ser.
Tolo e doente. Sim, ele estava com alguns problemas e deveria saber quais são.
"Saber pra quê? se eu souber a doença que tenho vou tentar previní-la, vou morrer em vida".
"Não seja tolo!" alguém dizia mas era inútil. Não adianta pedir que ele não seja se ele já é.

O tolo então vivia agora angustiado.
Era a angústia do não saber e mesmo assim preferia.
Preferia a angústia de não saber do que o desespero de se ter.

Mas como escapar dessa angústia? ora, com as mesmas válvulas que vinha usando.
Algumas delas a fazia esquecer da angustia, da dor e da dúvida.
Outras faziam as dores piorarem, as dúvidas minimizarem e a angústia pulsar.

O tolo se mexia em certo movimento e via que havia algo errado, solto ou quebrado.
Ele e sua companheira sabiam. A companheira lhe pedia para investigar.
Mas e o tolo? ora, ele era tolo. Não dava ouvidos.
Era? sim, era, no passado.
Hoje não é mais tolo?

Não. Hoje não é mais tolo e também não é mais vivo.
E todos sabiam, mas ninguém pudera fazer nada
Porque ele não dava ouvidos.

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