sexta-feira, 16 de agosto de 2013

PEGA UMA CERVEJA


E sem perceber rabisquei uma folha toda
Tentando falar sobre tantas coisas
Que estão aqui e me atormentam todo dia
Porque o mundo está tão longe assim
De ser, como dizem por aí, uma maravilha

É. Tenho tanto a dizer que nem consigo falar.
Tanto à escrever que nem sei começar
Ah!

A luta brava pelas ruas
O silêncio amargo, quantas rugas
O cigarro, apago, penso em mudar
Mas não vejo porque se prolongar
Tantos medos presos na garganta
Que eu nem sei por onde começar.

Sento, penso, leio, escrevo, apago e relembro
Sinto, minto, crio, vivo, arrisco e me arrependo.
Por quê? Como dizer?

A TV continua a ditar
O que fazer e até como falar
E a gente perdendo várias projeções
Nossos pensamentos e formas de olhar
Até a internet querem limitar
E eu nem sei por onde procurar

Ganhei mas já perdi a fé no Brasil
Pra onde quer que eu olho só vejo canil
"Nossa [querida] pátria mãe gentil"
Me pergunto quanto isso vai durar
Vai tudo pra puta que pariu
E eu nem sei por onde começar

Ela acorda cedo e vai orar
Depois volta pronta pra julgar
Enquanto outros estão a se matar
Costura a própria boca pra não abraçar
Qualquer ideia que não seja própria
E eu nem sei por onde procurar

Mas 'cê quer saber mais?
Cama aí, senta aí,
Vem pra minha mesa
Puxa uma cadeira,
Pega uma cerveja,
Pra gente começar...

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